2014.12.27
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…vamos viajar…
onde os lugares continuam suspensos,
como o tempo,
amparados uns nos outros.

- que seríamos uns sem os outros?
...

reticências.

parecem
pingos de águas!
multiplicam-se.
persistem
insistem
na linha da vida!
no espaço dum tempo.

em aberto,
em suspenso tudo permanece.
pois tudo
é reticente...
2014.12.24
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... a todos e a cada um em particular : uma Santa e Feliz Noite de Natal!

Presépio: brilho de simplicidade
….
numa ditosa e simples gruta, rompe-se no silêncio da noite,
o presente da paz de Deus!

os anjos cantavam, as estrelas brilhavam,
José vigiava
e o olhar terno e eterno de Maria O contemplava…
… o burro, a vaca aqueciam, pastores, anjos e reis acorriam!
humildes e poderosos cativados estavam
e diante da manjedoura se prostravam.
simplicidade, realeza, paixão e oração,
centelhas do Amor de Deus numa noite de emoção!

nem toda a humanidade compreendeu,
mas o brilho da simplicidade
desta Noite Santa em Belém da Judá
para sempre… NASCEU!

2014.12.20
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Menino Jesus,
é a primeira vez que te escrevo, pelo Natal. Há muito tempo que ouço falar de ti. Sabes bem o que te digo! Quando eu era pequenita, há muito tempo já, ensinaram-me no infantário a escrever a um gordo de barbas brancas vestido de vermelho, (se ainda fosse de azul escuro!) chamavam-lhe o Pai Natal, garantiram-me que ele descia pela chaminé na noite de 24 e ia trazer-me um presente se me tivesse portado bem durante todo o ano. Ficava triste ao olhar para os traquinas da minha sala do jardim infantil ao pensar que nada iam receber. Em casa o cenário era outro, bem diferente, eras tu que descerias não sei por onde, pois não tinha chaminé nem lareira…. Meu pai convidava a que eu colocasse aos pês da árvore de natal uma soquinha de madeira que ainda hoje a guardo, tinha que ficar junto do presépio onde tu não estavas, pois ainda não tinhas chegado com os presentes. Só chegarias na noite do dia 24. Tudo mudou. E muita da fantasia perdi. Este ano, relembrando o tempo em que toda a ternura me aconchegava na noite fria de inverno, resolvi porque os tempos que atravesso são difíceis escrever-te. Senti necessidade de fazer-te alguns pedidos. Menino Jesus da minha pequena infância, traz-me coragem para suportar a maldade, dá-me resistência para aguentar a solidão e a tristeza na minha família e no mundo. Presenteia-me com energia para continuar a enraivecer-me face às agressões sociais, e à dor das crianças que envelhecem antes do tempo, dos idosos que morrem sem um sorriso de quem amam. Ajuda-me a aceitar, a resistir as falsas verdades, a perdoar o imperdoável, a integrar o que disperso se encontra em mim. Depois, no dia 24, enquanto as famílias se unem, riem e convivem fica sentadinho no céu a vigiar os meus, a vigiar-me a mim. Faremos companhia um ao outro. Pois não tenho mais ninguém. Se achares que estou a ser demasiado pedinchona, não tragas nada. Dá-me só o teu grande amor, fica junto a mim no cantinho de alguns minutos da minha infância, onde reinou a fantasia, o sonho e a terna ilusão de o ser! Obrigada, Menino Jesus.  Este Natal vem cear comigo. Estás convidado. 
2014.12.14
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São João da Cruz [1542-1591]
Homem de pequena estatura, mas com um coração simplesmente imenso. Cantou a natureza, a fé, a eternidade e também o sofrimento sempre que permitiram a união com Deus. Ágil como pássaro solitário o seu voo foi sempre para Deus, num voo de peregrino convicto, de sábio humilde, de amigo do silêncio, que viveu desposando apaixonadamente a Cruz de Cristo na sua vida!
Quanto mais o lemos, mais descobrimos neste homem pequenino um contemplativo de olhar sereno enamorado por Deus, como se já em vida saboreasse a glória dos eleitos.Que amável caminho nos propõe este místico! Um caminho interior no qual a alma se despoja de tudo, para se encontrar no infinito oceano de Deus. Um caminho em que nos vamos calando diante do grande mistério de Deus, tocados e abraçados pela Presença que nos devolve confiança e serenidade.
A vida de São João da Cruz é cristalina e luminosa, e por isso o seu conhecimento estimula o ritmo da nossa. A força que dela emana anima-nos a amar o Amor, ainda que tenhamos de confrontar-nos com as sombras, o medo, a noite, as renúncias e as subidas íngremes.A Chama de Amor guiou-o e inspirou-o, pelo que a sua doutrina permanece viva e actual! O seu mundo espiritual povoa e cativa quem se deixa enamorar por Deus, guiado pela sua mão de mestre. Pela sua mão vai-se para o centro, porque o Amor gosta de viver no centro do centro. Aí vive Deus Amor que habitou o Santo e quer fazer morada em nós.Conhecer São João da Cruz obriga a enraizarmo-nos nas suas palavras sempre belas e cheias de Deus, como estas: «Fomos criados para o amor»! É nesta máxima que muitas vezes me quero centrar, porque reconheço nela uma mola impulsionadora de vida, um caminho de luz que silencia corações caminhantes…
A luz que brota desta frase desinstala e conforta em profunda e harmoniosa unidade com o mundo e com Deus. Leva ao enamoramento de Deus, tal como se enamorou de nós. E obriga a aperfeiçoar e a limar a alma, tal como ele nos aconselha; e obriga a lavar todas as sujidades que encontrarmos no nosso caminho interior, para que o amor que amamos seja o amor de Deus em nós.
Deixar-se guiar pelo mestre é um permanecer sólido e vibrante no encontro com os seus ensinamentos, é cavar o nosso interior em silêncios de inacabada procura. Tal busca só é possível se confiadamente deitarmos pés ao caminho, porque a subida é difícil. Porém, lermo-nos em São João da Cruz é fazer caminho com ele e só terminar na casa do olhar de Deus.Celebrar a memória de São João da Cruz é a possibilidade de apreender a procurar o caminho certo e estreito, pelo qual a alma se acerca mais directamente a Deus. A sua experiência e o seu caminho espiritual são dicionário fecundo para o nosso encontro com Deus pelo qual Ele se revela. É convite ao abandono a deixarmos que o Amor nos leve às alturas da contemplação, a buscar o encontro com o Amado. Quem melhor que ele fala da união com Deus? Uma união que tem de ser dolorosamente buscada na fé e na esperança? Mas no fim vence quem ama! É esta vitória que devemos querer nas nossas vidas!
A vitória de São João da Cruz recorda-nos que a bagagem que trazemos, se não for divina deve ser rejeitada, num despojamento libertador de todas as dependências. Os estorvos devem ser rejeitados para que Deus possa preencher a nossa vida com a Sua presença feita de pequenos detalhes e de pequenos nadas que nem sempre sabemos ver. Não procures mais, perde-te n´Ele, que Ele está em ti! Faz como São João da Cruz, oferece‑Lhe os sofrimentos e os teus nadas, e não te vanglories… Na pequenez da vida está a plenitude de Deus.Neste homem o coração ardeu em fogo de amor, porque não arderia o teu? Hoje flamejam os seus deliciosos ensinamentos, que continuam a seduzir-nos porque são de Deus e nos atraem para o convívio do amor.
Vai. Segue o caminho iniciado no Baptismo: Despoja-te de tudo para que Deus se agrade de ti, tal como se agradou e sentiu bem na vida de São João da Cruz! Ó que belo projecto!
2014.11.22
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...sabes, por mais que sejamos o nosso próprio tempo, às vezes somos o tempo de outros tantos conhecidos e desconhecidos e outros são os nossos tempos, às vezes sem sequer imaginarmos, às vezes propositadamente, às vezes ensonados às vezes muito acordados estamos num determinado tempo apesar de não sabermos muito bem porque estamos.



2014.11.18
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...antevê a melodia que não quer escutar. Nela se situa! Pessoas com palavras mais e menos sábias que as suas diligenciam momentos. Pensa neles e a actividade mental não quer repousar. Na existência que germina, grãos morrem e nascem envoltos de ervas daninhas. Engloba-se! Em fracções de minutos, de segundos juíza vislumbrar q.b. de retalhos. Longe dos ruídos do mundo, da cidade, entra num só ruído, o ruído do seu silêncio. Enche os segundos de mais uns quantos retalhos. Une-os aos outros. Sabe que se encontra na linha de montagem. Tudo se une mal ou bem, bem ou mal. Oh! Retalhos de retalhos. De uma única cor os considera. No entanto, não entende, porque os retalha assim. As gotas escorrem pela face para se unirem com as da chuva... O tempo leva a que se ausente. A noite recai na Noite que o angustia. Retalhos se afiguram. E para quando o ultimo retalho, o gozo sem fim? Compila renovadas vidas que nascem de um morrer para viver. Vidas feitas de retalhos! Não de um viver de esterilidade total ou mediocridade. E neste retalho de segundos, considera o mal humano com mais humildade que severidade, com mais dó do que indignação… Um pobre retalho!
2014.11.15
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ao longo da nossa vida
muitos caminhos percorremos,
muitas palavras dizemos e escrevemos,
muitas pessoas se cruzam com a nossa,
narrativa de vida ....
e nós, quem somos? 
 - nós somos o resultado de tudo isto! 

2014.11.03
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A aventura da vida é um processo feito de decisões. Não é um obstáculo o qual não consigamos ultrapassar. É um mistério que temos que em cada dia explorar e não deixar desvanecer. Este Domingo a aventura da estrada pela qual seguimos levou alguns de nós à Serra d´Arga para um familiar convívio com sabor a São Martinho! Enquanto percorria curva e contra curva pensava: - Oxalá desfrutemos desta pequena aventura do (re)encontro. E assim sucedeu. Não tenho a menor dúvida de que tal como diz o místico João da Cruz: «A saúde da alma é o amor». E este Amor chega das mais variadas formas. Há dias assim, em que as coincidências da vida se tornam muito especiais. Encontrarmo-nos após vários anos num espaço com história para muitos de nós foi de fácil deliberação. Valeu a pena. Um velho lugar que adianta legitimar. A Serra d´Arga, não passa de validade. Neste (re)encontro foi muito bom sentir que os amigos nos acompanham, apesar da distância, apesar dos desencontros, apesar de estarmos poucos e termos feito presença de muitos! Tudo foi vivido de forma genuína. Continuaremos à procura de palavras para recordar a nossa adolescência, a nossa juventude saudável!Palavras que vivem em nós genuinamente, sem resistências. Há momentos em que tudo se entrelaça. Neste entrelaçar, tudo faz sentido, nem que seja por uns instantes… Lá voltaremos. Ficou a promessa de um até já!
2014.10.20
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«We forgot about love
We forgot about faith
We forgot about trust
We forgot about us»

2014.10.20
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«A reconciliação é o percurso do reconhecimento da nossa fragilidade e a aceitação do nosso passado, seja ele qual for. É este o percurso que torna o homem realmente livre e realmente capaz de amar. O homem que perdoa, o homem reconciliado, é, antes de mais, o homem que não tem defesas, que não tem barreiras, que não está num ponto em que a verdade tem só uma cor. O homem reconciliado consigo mesmo - e logo com o seu projecto - sabe que a verdade não é uma cor, mas sim uma luz. Uma luz que pousa em todos os lugares, iluminando, dando a cada coisa uma respiração mais ampla. Por isso acho que o perdão não é uma demonstração de bons sentimentos, mas um percurso longo e difícil de despojamento progressivo que leva o ser humano a viver plenamente a sua condição de filho.» [Susanna Tamaro]

Pergunto-me:-porque fugimos deste processo de transformação? Talvez porque exija de cada um de nós, esforço e dedicação ao longo de toda a vida. É complicado assumi-lo em nós quando neste longo caminhar (re)nasce a aversão, o medo a vergonha da partilha, um sentimento de perda... Assustamo-nos, repudiamos e não integramos o sistema destes tempos fortes na agenda pessoal. Não é que nos falte o tão afligido tempo de palavras. O tempo e as palavras nesta questão são uma escolha que depende da prioridade que atribuímos. Tem-se sempre tempo e palavras para o que se quer. É nesta dimensão que deve residir o nosso querer mais profundo. Como periodizar uma mudança intensa que circunscreve a forma de pensar e de agir, os critérios e atitudes do perdão à reconciliação? Naveguemos mar adentro e como diria um amigo:«Deixa o rádio SOS ligado; posso meter água e precisar de ajuda.». Liguemos então.
2014.10.15
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2014.10.15
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Hoje toda a família carmelita e teresiana exulta com o inicio do V Centenário do nascimento de Santa Teresa de Jesus, Mestra da Oração e Doutora da Igreja. Desde já estão em marcha e em execução várias iniciativas de preparação para a celebração do V Centenário. E por se falar de Teresa de Jesus, no baú das recordações encontrei uma carta "escrita por ela" aos jovens carmelitas. Pois a estes corresponde a digna tarefa de construir a nova civilização num clima de paz, liberdade, democracia e pluralismo!


Carta de uma amiga «Andariega»
[aos participantes do XVIII HOREB 2011]

jm+jt

1- Meus amados Jovens Carmelitas, que a graça do Espírito de Cristo ressuscitado esteja com vossas caridades.

2- Saibam vossemecês que estava a passear pelo Céu, quando me deram conhecimento do XVIII Horeb do Carmo Jovem, que este ano se realiza, como em outras ocasiões ao redor de um dos Santos carmelitas, na linda cidade de Viana do Castelo, rodeada de montes, mar e rio. Eu mesma sou convidada de honra no vosso encontro! Que feliz fiquei, pelo vosso convite e pela gotinha tanto me acarinhar aos longos destes anos. Uma filha muito querida minha, vossa amiga e irmã carmelita, incentivou-me a que escrevesse umas letras, para vos motivar nesta nova e magnífica aventura. Deus lhe pague por todos sacrifícios que tem passado!

3- Caros amigos fortes de Deus, talvez, não começariam este encontro se me quisessem de todo imitar, pois ruim e fraca mulher fui ao longo da minha vida terrena e no céu só Deus o sabe pelos carminhos que me leva… Sua majestade, teve e tem para comigo grande benevolência e misericórdia. No carminho percorrido, muitas vezes lhe perguntei: «Que quereis Senhor de mim?». E neste enlace em que Ele me entrelaçou, nesta humildade na qual pretendi andar somente em verdade me coloquei. Tudo o que sou, o sou graças ao nosso Deus. Desde muito cedo, Ele me fez encontrar a Sua verdade na Sua vida. Verdade que trazia alojada no meu interior, mas não satisfeita, e muito inquieta, procurava sempre não sei que verdade. Muitas vezes percorri carminhos de noite, solidão. No entanto, buscava apenas a verdade. A verdade encontrei. Ao fim de muito procurar, descobri que tudo o que procurava e buscava com tanta inquietude estava dentro de mim. Compreendi que essa verdade era a que me dava assas para voar! tal como um bicho da sede, feio que se transforma numa bela borboleta. A pergunta: «Que quereis Senhor de mim?» Fez-me Santa!

4- Procurando e ajustando momentos aqui e acolá, dei-me conta do grande bem que faz à alma entrar em oração, e com determinada determinação, me dediquei a contentar a Deus, pois só Ele era o que contentava a minha alma: Oh! Deus meu, quanto tempo perdi, quando Te buscava fora de mim, quanto tempo perdi buscando-Te fora de Ti porque para estar em Ti, bastava só chamar-Te em mim!

5- Jovem carmelita, que me escutas, tendo oração, abrem-se os olhos do silêncio do coração, para entender as verdades que chegam… eu, muitas vezes, pensei que para chegar onde Ele queria, tinha que estar muito limpa das minhas faltas… Oh! que por mal carminhos andava a minha esperança! Pois tendo eu oração, sua majestade não deixará de me favorecer, nem me deixara perder se o carminho fora o da humildade. Recordo-me que muitas vezes me cansei eu de ofende-Lo do que Ele em me perdoar. Ele jamais se cansa de dar, nós é que jamais podemos cansar de O receber em nós. E são tantas as vezes que Ele se abeira de nós e nós não lhe correspondemos! Oh doce aventura da alma! Porque tardais?!

6- Queridas gotinhas, disseram-me que este ano fazeis XVIII anos, que tendes em mãos novos projectos, que quereis continuar a dar muito do que tendes recebido. Bem, esse é o carminho que vos levará a um bom destino, vos levara a conhecerem-se como jovens carmelitas, a amar a espiritualidade carmelita que vos cerca. Neste carminho tendes que compreender para serdes compreendidos, é o ciclo dos atrevidos, dos que fazem da sua vida, um hino de louvor. Peço-vos que sejais radicais! A ordem carmelita descalça em Portugal e no mundo, precisa de jovens radicais. TU, começa sempre de bem a melhor. Porque esperas?

7- Viana do Castelo, Porto, Fátima, Caíde de Rei, Braga, Aveiro, Avessadas, Moinhos da Gandará, Alhadas, Coimbra, Paços de Gaiolo… quantas recordações, quantas vidas, quanto amor. Carminhos percorridos ao redor da espiritualidade carmelita, carminhos ao redor de Cristo. Já levais alguns de vós anos de experiência que marcaram as vossas vidas, e hoje dais oportunidade a outros para que vivam aquilo que vos fez crescer. Sois filhos desta vinha do monte Carmelo. Continuai a carminhar!

8- Amigo(a) jovem carmelita, que orgulhosa me sinto de ti, que te encontras no XVIII Horb. que feliz estou por vós. Prometo que desde o céu, cuidarei da vossa gotinha e guiarei os vossos passos até Aquele que guiou amorosamente os meus passos. Orientou nos Seus carminhos. Como Ele me vislumbrou e me deleitou em oásis de amor, o que queria de mim fê-Lo. Quanto a ti, não podes fazer que alguém te ame, mas podes e deves deixar-te amar por Ele. Onde está o Teu Deus de Amor? Que quer Ele de Ti? Quem não se encontrou sem palavras ao ser interrogado por tão grande amor? Como busca-lo hoje nos carminhos da Sua história? Deus procura-te! Sai ao Seu encontro. Sai de ti e encontra-Te com Ele no silêncio do teu coração.

9- Já disse bastante. O demais não é para a carta nem mesmo para dizer. É para amar! Pois a vida espiritual é como um mapa… tem muitos carminhos mas a importância está no local onde pretendemos chegar…. Ele é a meta. Trata-se de um carminho que vai durar toda a nossa existência. É bom que O louvem uns pelos outros. A Ele a glória e a honra, seja bendito para todo o sempre, Ámen

10- A todos vós me recomendo muito. Deus vos faça Santos.

Viana do Castelo a 1 de Outubro do ano da graça 2011  
Vossa indigna serva,







               [carta escrita por VP para o Encontro XVIII Horeb do Carmo Jovem]
2014.09.25
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«Só há, 
no tempo 
e na eternidade, 
um único 
engano possível 
em relação 
ao amor verdadeiro, 
que é o enganar-se 
a si próprio, 
ou desistir 
do amor.»

[Kierkegaard]
2014.09.11
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...os sonhos sempre exerceram elevo na humanidade… e eu faço parte dela!  Somos seres totalmente diferenciados. E o que nos diferencia? Serão os nossos sonhos de conquista? – Penso que sim. Já  Freud  dizia que os sonhos são fenómenos psíquicos onde realizamos desejos involuntários. E eu acrescentaria conscientes também… para mim o sonho é o resultado de uma conciliação. Sonhar faz parte da existência humana, pertence a cada estado de alma, a cada ser, a cada mundo interior, bem ou mal o sonho ocupa o leito da nossa noite. Dorme-se e, não obstante, vivencia-se a eliminação de um desejo. Satisfaz-se um desejo, porém, ao mesmo tempo, continua-se a dormir. Somos movidos em cada novo dia por motivações, saudade, desejos, necessidades, motivos para permanecermos entusiasmados,  motivos que nos deixam tristes, não só num hoje mas num amanhã …Então,  porque não se há-de sonhar se é o sonho que alimenta a vida? Que a brevidade do tempo que ainda resta não nos distancia do verbo sonhar!Só aí perceberemos a força do verbo amar. Esse sentimento inexplicável. Amar! Não faltemos a este sonho.
2014.08.28
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Ergo o olhar rodeada de pensamentos escritos e não escritos. Hoje, estava capaz de escrever uma carta para ser enviada. Sim, uma carta. Mas, como se começa uma carta, como se escreve? – Será que ainda sei? Dou-me conta que já não utilizamos o papel e a caneta como antigamente. São emails, os sms, blogs, facebook e afins. O papel e a caneta ficam esquecidos ou são em nossas vidas inexistentes quando toca a querermos comunicar. No entanto, existem palavras que precisam de ser escritas, de ser lidas e relidas em folha de papel. Precisamos delas para que futuramente possamos guardar e selar acontecimentos em nós. Acontecimentos que nos falam de saudade, de presença, de encontros e desencontros. Pergunto-me: - porque se sente que certas palavras saturam e outras preenchem os nossos dias? Fico-me em algumas respostas, alguns silêncios, são mais que presença. Deixo apenas espelhadas nestas linhas os sonhos fortes e presentes nos quais só lembranças restam. Será esta uma disposição mental distorcida e inconsciente que cria distorção neste presente no qual vejo reflectida a sombra do futuro? Hoje nada sei. Hoje como ontem, nada sei. Perdida em muitas palavras. Encontrada em poucas. Há determinadas palavras que só as usarei e compreenderei quando perder alguém, ou quando «alguns» me perderem a mim. Neste hoje guardo-as em mim como ontem. Neste momento, quero apenas deixar que o vento que entre as janelas da varanda de casa de meu pai  ouço passar, nada me desassossegue, de nada me isole, de nada nem de ninguém me refugie. Sim, quero! Será que deva querer este querer? Se assim for que me reveja na letra do grupo musical Deolinda, «Tem de acontecer, porque tem de ser, e o que tem de ser tem muita força, e sei que vai ser, porque tem de ser, se é pra acontecer, pois que seja agora.»  Sim que seja agora, pois a vida é uma escola valiosíssima na qual um dia a palavra fim terá o seu próprio fim. Como será? - Não o sabemos, no entanto muito dependerá do rumo que optamos! Neste existir sei que fizeram parte do meu caminho sorrisos verdadeiros, abraços longos e momentos únicos. A estes fui, sou eternamente grata!

2014.08.22

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«Quando eu nasci,
Ficou tudo como estava.
Nem homens cortaram veias,
Nem o Sol escureceu,
Nem houve Estrelas a mais...
Somente,
Esquecida das dores,
A minha Mãe sorriu e agradeceu.
Quando eu nasci,
Não houve nada de novo
Senão eu.
As nuvens não se espantaram,
Não enlouqueceu ninguém...
P'ra que o dia fosse enorme,
Bastava
Toda a ternura que olhava
Nos olhos de minha Mãe...»
[Sebastião da Gama, Serra-Mãe]

Apercebo-me do poema de Sebastião da Gama, que escolhi para aqui fazer memória deste dia e este faz ainda mais sentido do que o sentido que já fazia, quando interiorizado num dia como o de hoje, feito de muitos e variados caminhos!… Há mundos mágicos assim de que só as criaturas, o pensamento, as palavras e os actos que nos circundam são capazes de continuamente deixar resvalar na eterna direcção da vida. Para cada um uma só palavra basta: OBRIGADA!

2014.08.21
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«Sabes, as pessoas passam pela vida como sonâmbulas, preocupam-se com o que não é importante, querem ter dinheiro e notoriedade, invejam os outros e esmifram-se por coisas que não valem a pena. Levam vidas sem sentido. Limitam-se a dormir, a comer e a inventar problemas que as mantenham ocupadas. Privilegiam o acessório e esquecem o essencial. …. Tenho de o aproveitar para me redireccionar, para rever as minhas prioridades, para dar importância ao que realmente tem importância, para esquecer o que é irrelevante e fazer as pazes comigo e com o mundo. … passei demasiado tempo fechado em mim mesmo… quero viver a vida, abraçar o que é realmente importante, reconciliar-me com o mundo… mas não sei se isto que tenho dentro de mim me vai deixar» [A fórmula de Deus – José Rodrigues dos Santos].

...voltei a folhear alguns enxertos do livro: «A fórmula de Deus» de José Rodrigues dos Santos. A passagem que transcrevo é quando uma das personagens toma consciência da sua pobreza de vida. O verbo amar começa a ser pronunciado de uma outra forma. Um amar que não é sentir, é confiar, obedecer, dentro da confiança absoluta. Este Homem encontra-se a revisar a sua vida, pois pouco tempo lhe resta dela. Eis um tomar consciência do quanto deveria ter feito, do quanto tenta fazer. Encontrando-se, queria reaver o tempo perdido, recuperar o seu lugar e o modo de como poderia naquele momento agarrar e retribuir aos seus o verbo amar. Detive-me nele e interiorizei principalmente estas duas palavras: «reconciliar-me com o mundo». Reconciliar será uma forma de amar? Acredito que determinados acontecimentos na vida fazem-nos ver de uma outra forma a vida. Abalam e restauram. Ganha-se e perde-se, imaginámo-nos, emocionamos, desfalecemos, avançamos, retrocedemos, voltamos a iniciar. Enfim, um leque de situações! Num hoje, estou cada vez mais convicta de que cada um de nós deve e tem que encontrar o seu lugar no mundo.
Este desalojar-se de si, tem que despertar em cada um a procura da palavra amar. Não é algo que possamos deixar estático ou arrumado numa gaveta. Todos temos muitas coisas para arrumar e para desarrumar. Por vezes desfazer-mo-nos de determinadas coisas, objectos, pessoas é para nós muito difícil e nada prioritário. O problema é que o amanha poderá não existir… Não queiramos acondicionar tudo como se o que acondicionamos viesse algum dia a fazer falta. O desapegarmo-nos das coisas, desinstala-nos e envolve-nos de diferentes formas. Porque tememos?


2014.08.19
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«Cuidado, pois existe um tempo em que 
não haverá retrocesso. 
E isso chama-se tarde demais!» 
[Isabelle Fochier]

Encontrei esta imagem na net.  No final de cada etapa tinha uma bandeira. troquei por uma cruz! Não sei a quem pertence.O que sei é que fazemos planos mas a realidade é bem diferente dos planos que fazemos. Somos penitenciários da via do Amor! Para viver é importante saber discernir e apreender sempre o novo que se nos assola acolhendo-o. Não é fácil. è limitador. Neste sentir não poderá haver dúvidas de que nos aproximaremos em velocidade estonteante do irreverente palco da vida preparado por um relógio temporal mas cujo ritmo é o que somos e o que trazemos em nós mediante o que ouvimos e sentimos, mediante noites de medo, de assombro, de duvida. Um mundo sinuoso, onde habita a instabilidade e a precariedade que trazemos em nós, que os outros muitas vezes fazem chegar a nós. Somos convidados a retirar as correntes que aprisionam este mundo apático, indiferente, desengraçado e destroçado? A pedalar a toda a força...Porque? Porque estamos demasiado camuflados prisioneiros das coisas. [já não falarei da azafama e correria que se espreita por entre ruas e ruelas, entre telhados e beirais das gentes. A quem ninguém escapa.] Será que conseguiremos despovoar corredores de gentes e abeirarmo-nos do silêncio que permite desacorrentar o nosso mundo? Será para isso que servem as minhas e as tuas férias? ou servem para nos cansarmos ainda mais? Continuamos a omitir a voz que clama, continuaremos a não saber ouvir este silêncio evocante e a declinar gestos? Quantas vezes mais fecharão e fecharemos esta porta? Quantas vezes mais visionaremos o mundo sinuoso que nos interroga e nos (des)localiza? Somos penitenciários do amor?!  E nestas ruas cansadas, seremos convidados um dia a calar. Nesse momento cerraremos os sentidos aos apelos do mundo. Fecharemos uma única porta. Somos penitenciários do Amor! E neste existir não há retrocessos. 
2014.08.15
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... e o poeta Fernando Pessoa escreveu:


2014.08.12
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...e porque hoje se celebra o Dia Internacional da Juventude...

«Os jovens são portadores de esperança e de energias para o futuro, 
mas são também vítimas da crise moral e espiritual do nosso tempo.»
[Francisco]
2014.10.15
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«A reconciliação é o percurso do reconhecimento da nossa fragilidade e a aceitação do nosso passado, seja ele qual for. É este o percurso que torna o homem realmente livre e realmente capaz de amar. O homem que perdoa, o homem reconciliado, é, antes de mais, o homem que não tem defesas, que não tem barreiras, que não está num ponto em que a verdade tem só uma cor. O homem reconciliado consigo mesmo - e logo com o seu projecto - sabe que a verdade não é uma cor, mas sim uma luz. Uma luz que pousa em todos os lugares, iluminando, dando a cada coisa uma respiração mais ampla. Por isso acho que o perdão não é uma demonstração de bons sentimentos, mas um percurso longo e difícil de despojamento progressivo que leva o ser humano a viver plenamente a sua condição de filho.» [Susanna Tamaro]

Pergunto-me:-porque fugimos deste processo de transformação? Talvez porque exija de cada um de nós, esforço e dedicação ao longo de toda a vida. É complicado assumi-lo em nós quando neste longo caminhar (re)nasce a aversão, o medo a vergonha da partilha, um sentimento de perda... Assustamo-nos, repudiamos e não integramos o sistema destes tempos fortes na agenda pessoal. Não é que nos falte o tão afligido tempo de palavras. O tempo e as palavras nesta questão são uma escolha que depende da prioridade que atribuímos. Tem-se sempre tempo e palavras para o que se quer. É nesta dimensão que deve residir o nosso querer mais profundo. Como periodizar uma mudança intensa que circunscreve a forma de pensar e de agir, os critérios e atitudes do perdão à reconciliação? Naveguemos mar adentro e como diria um amigo: «Deixa o rádio SOS ligado; posso meter água e precisar de ajuda.».  Liguemos então.